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Igreja, quartel dos bombeiros e delegacia são transformados em residência

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publicado em 20/06/2011 às 12:22 ,
atualizado em 21/06/2011 às 18:51
por Karine Tavares | Fonte: O Globo

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A igrejinha em Utretch transformada em casa pelo escritório holandês Zecc Architecten

A igrejinha em Utretch transformada em casa pelo escritório holandês Zecc Architecten

Rio – A casa é do Senhor. Mas quem quiser, pode entrar e ficar à vontade. A máxima que por muitos anos pôde ser repetida numa pequena capela na cidadezinha de Utretch, na Holanda, até continua valendo. Mas não por muito tempo. Afinal, o prédio deixou de ser igreja e virou uma casa (ainda à venda): com sala, quartos, cozinha, banheiros e… vitrais!

Manter as características originais de prédios públicos transformados em residências parece ser a primeira preocupação de quem se dispõe a encarar a aventura de transformar edificações antigas e, geralmente, belíssimas, em casas modernas. Tanto assim, que as fachadas normalmente não recebem intervenções. No espaço interno, ao contrário, quanta diferença!

A igrejinha ganhou ares de casarão; o antigo quartel dos bombeiros, em Nova York, se transformou em espaçosa residência para uma família; e, em Viena, o apartamento de uma artista plástica ganhou decoração tão moderna que nem parece ser o único do prédio a não abrigar departamentos de uma delegacia.

Mas como será morar num lugar assim? Se você tem 1,975 milhão de euros (ou R$ 4,5 milhões) sobrando pode se candidatar a descobrir. É esse o preço que Valerie Houpperichs está pedindo pela igrejinha holandesa que decidiu transformar em sua casa. Quando comprou o imóvel, ele vinha sendo usado para outros fins: pequenos concertos e exposições de móveis antigos, principalmente. Para adequá-lo a uma casa foram necessários nove meses de obras.

Os vitrais, o piso de madeira, as portas e as características internas das abóbadas foram mantidas e enfatizadas com a pintura totalmente branca e a retirada de parte do mezanino – que havia sido construído quando a igreja passou a ser usada para fins culturais. Com isso, o projeto criado pelo escritório holandês Zecc Architecten permitiu que a casa ganhasse maior incidência de luz e uma grande área de convivência no segundo andar.

Para a intervenção na estrutura original da igreja não ser muito grande, as novas paredes em linhas retas foram construídas como módulos independentes, que podem ser removidos e não interferem nas colunas, paredes e arcos da igreja. Parapeitos de vidro refletem elementos da construção histórica, permitindo a fusão do antigo e do novo.

“É uma experiência única e uma honra viver num lugar como esse, principalmente fazendo nele tudo o que quiser e ainda mantendo suas características”, diz Valerie.

E o que Valerie quis fazer deu ares bem inusitados à antiga igreja. No andar inferior, foram instalados dois quartos, um pequeno escritório, o banheiro e a cozinha. No antigo altar, uma imponente sala de jantar com mesa e dois bancos do próprio templo. Nas paredes da casa, no lugar dos santos, enormes ilustrações de homens vestidos apenas de camiseta e cueca.

“Em muitos países europeus, sociedades religiosas e a grande burocracia impedem que esse tipo de obra seja feita. Mas em nosso país, há muitas igrejas vazias e nós não queremos que elas fiquem abandonadas”, defende a holandesa que, enquanto não vende a velha igreja, permite que seja visitada.

A sala de visitas da família Abbate já abrigou o escritório do capitão dos bombeiros/ Foto New York Times..

A sala de visitas da família Abbate já abrigou o escritório do capitão dos bombeiros/ Foto New York Times..

O designer de móveis Anthony Abbate também recuperou um patrimônio abandonado de sua cidade: o antigo quartel do Corpo de Bombeiros de Staten Island, em Nova York. O prédio centenário já não era ocupado pelos bombeiros desde 1972. Segundo matéria publicada pelo New York Times, Abbate encontrou a construção com grandes problemas estruturais e recuperá-los, diz, foi um grande desafio. Tanto que levou dois anos para que os bombeiros liberassem o seu uso residencial.

“Quando há um problema de encanamento, você não pode chamar um encanador comum. Não tínhamos ideia de onde estávamos nos metendo”, lembra o morador em entrevista ao jornal americano.

A aventura saiu cara: U$ 380 mil (R$ 606,8 mil) só na reforma (fora o US$ 1 milhão, ou R$ 1,597 milhão, gasto para comprar a cobertura do edifício, que é dividido em duas residências). O resultado, contudo, deixou o designer satisfeito. A casa lembra os lofts do SoHo: até a cozinha e o banheiro são espaçosos e o pé-direito é altíssimo, quatro metros. A sala de estar da família é emoldurada pelo muro de janelas de madeira e vidro, que provavelmente demarcava o escritório do capitão, no quartel.

A designer Nives Widauer é vizinha de toda a polícia de Viena/ Foto New York Times

A designer Nives Widauer é vizinha de toda a polícia de Viena/ Foto New York Times

Em Viena, a artista plástica Nives Widauer nem esperou a polícia sair. Ocupou o único apartamento vago de um prédio do século XIX que é inteiramente ocupado pela delegacia de polícia local. Isso foi há 15 anos, quando ela se mudou da Suíça para a Áustria e se encantou pelo imóvel. Segundo o New York Times, que publicou reportagem com a moça, por anos ela fez mudanças na decoração, sem qualquer grande obra no apartamento, que é alugado. Até que, há alguns meses, decidiu que era hora de uma reforma completa. Foram cinco meses para modernizar banheiro e cozinha, recuperar o piso de madeira e trocar o encanamento.

“O piso não está perfeito, mas quem o vê assim, nem imagina como era quando comecei a reforma”, disse Nives.

Para não gastar muito, a artista usou seu trabalho: trocou obras suas com o arquiteto que planejou a reforma. Também apostou na economia futura. A instalação de uma lareira, por exemplo, lhe permite hoje economizar até 20% com aquecimento durante o rigoroso inverno austríaco. A obra custou cerca de 40 mil euros (R$ 91 mil), divididos entre ela e os donos do prédio, uma família judia, que mora na África do Sul, desde que o prédio foi confiscado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas como é morar praticamente dentro da delegacia?

” Três anos atrás, houve um assassinato na vizinhança. Cheguei em casa minutos depois de o bandido ser preso. Um pouco assustador. Mas nenhuma razão para começar a trancar as portas”, brinca.

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publicado em 14/05/2012 �s 14:37,
atualizado em 16/05/2012 �s 16:49
por Raiane Nogueira | Fonte: Jornal Extra

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